Acabei de receber, de ler e de ficar estarrecido. Assino embaixo das palavras de herbert Viana. Concordo com ele em gênero, número e grau...
"Cantor do LS Jack é internado em coma no Rio após lipoaspiração. É possível isso? É admissível isso? Um rapaz de 27 anos ter uma parada cardíaca e entrar em coma após uma cirurgia de lipoaspiração? Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos "lipo-as" e muito mais "piração"? Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem. Religião, é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação. Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo,sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso. A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem? A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz,não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos,não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o a volta, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada. Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas,quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas... uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser. Deus permita que ele volte do coma sem seqüelas. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva." (Herbert Vianna)
Escrito por Foureaux às 08h48
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Agora que estou publicando o meu texto, ao abrir o site da UOL, deparo-me com uma "chamada" em letras "garrafais": Daiane fica em quinto e frustra a chance de medalha inédita. Quem ficou frustrado, de verdade, no fundo d'alma, com toda a força da verdade e da sinceridade de espírito, com o "feito" de Daiane. Eu encabeço a lista daqueles que discordam da "chamada". Olha o discurso do coitadinho (preconceituoso e tudo!) aí de novo...
Escrito por Foureaux às 17h37
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A final da ginástica olímpica e o discurso “do coitadinho” que os repórteres brasileiros insistem em divulgar estão me dando engulhos. “A ginasta romena foi muito bem, mas a participação da Daiane é um fato histórico”; “Os nadadores americanos e australianos têm melhorado muito as suas marcas, mas a participação da Maranhão e do Thiago merece aplausos por serem tão jovens e já estarem em finais olímpicas da natação”; “A seleção feminina da Itália é um marco, mas a participação das brasileiras...”
Prestem atenção no “mas”. Está aí o que eu chamo de articulador-mor do discurso do coitadinho. Daiane foi para a final do solo, em Atenas, por esforço próprio. Patrocínio, ajuda, torcida, e divulgação midiática não ajudaram muito, quase nada, em comparação com o “esforço” físico dispendido pela atleta, o gasto de horas e horas de treinamento, a cirurgia, a pressão por uma medalha. Ela esteve lá, não porque as “outras” foram mal. Ela esteve lá porque ela é boa e fez por merecer. Talvez fosse o caso de não deixar de remarcar aqui o fato desta atleta ter a pele preta, usar aparelho nos dentes e ser de um estado que, em muitos aspectos, trabalha e produz muito mais que toda a região nordeste inteira. Preconceito deslavado, disfarçado em compaixão e/ou reconhecimento por mérito a uma nação que, por bem ou por mal, valoriza apenas quem se “sobressai”. Se ela fosse “ele”, talvez o discurso mudasse. Se ela fosse branca, passaria despercebida, num esporte de supremacia ariana, o que teria feito a alegria de Hitler e seus seguidores – ainda faz, para aqueles que ainda insistem em acreditar na supremacia de uma raça apenas. Se ela não usasse aparelho ortodôntico nos dentes, seria perfeita. Se ela não tivesse “aquele” sotaque, mas chiasse os “s” e usasse a gíria da “zona sul”, venderia seu nome como grife e exportaria um “comportamento” que, de nacional, tem muito pouco, quase nada. Basta ver a área geográfica considerada como “território” nacional. Mas isto é difícil, não é todo mundo que domina a terminologia e a ideologia do pensamento de Derrida. Já que estamos falando em “moda”... Mas ela é simplesmente Daiane.
Da mesma forma, os “coitadinhos do Thiago e da Maranhão” não são tão coitadinhos assim. Quando é que alguém com massa cinzenta funcionante pode imaginar que incentivo de mídia, patrocínio dos correios e pagamento de passagens e despesas são suficientes para os nadadores estarem entre os melhores do mundo? O fato inédito não é apenas estarem lá, mas estarem lá por conta de seu esforço, de horas e horas dentro d’água, de feriados e escolas at]e prejudicados por sua dedicação. Foi o esforço de cada uma das braçada dos dois que os colocaram dentro daquela piscina, não o patrocínio dos correios. Os times de voleibol até podem ser uma exceção neste meu raciocínio, dado que uma história já vem sendo contada por ele ao longo dos últimos anos. O Brasil está fazendo escola e só não vê quem não quer. Aliás, a grande maioria dos que não querem ver é formada por aqueles que ainda acreditam que o FUTEBOL pode fazer alguma coisa pelo Brasil. Arrisco a dizer que o FUTEBOL brasileiro já deu o que tinha que dar, não dá mais no couro, há muito tempo. O “futebol” continua rendendo milhões para atletas que, de ATLETAS têm muito pouco – principalmente pela síndrome da exibição e do PODER (coitados, nunca leram e se leram não entenderam o nosso Foulcault) – atletas e “cartolas que, estes sim, ainda que contando com uma possibilidade de “esclarecimento” e uma “ iluminação” intelectual, continuam representando, impecavelmente, seu papel de ”tubarões”. As cartolas já se foram...
De tudo, aproveita-se alguma coisa. Assim não fosse, não faria sentido ter gasto tempo para decorar a famigerada lei de Lavoisier: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Maquiavélico, o poder das palavras. Na boca de um significam a vitória, na de outro a derrota, na de um terceiro, outra coisa que não ousa dizer o seu nome. Vai saber... Fica cada vez mais claro o fato de que o nosso país “continental”, “tropical”, “bonito por natureza” não está conseguindo introjetar na cabeça de quem deveria tomar a iniciativa que dinheiro gasto em EDUCAÇÃO rende juros, correção monetária, dividendos, sem especulação, sem divisão injusta de renda, sem peculato sem tanta coisa que a mídia, esta mesma mídia que “endeusa” os coitadinhos dos brasileiros em Atenas, não se cansa de propalar em nome da “liberdade de expressão. Liberdade é um conceito muito complexo, muito intrincado, especular à enésima potência, que pode sustentar os discursos mais diversificados, com as tendências mais variadas, atingindo espessuras semânticas inesperadas. A gente não é capaz de aquilatar o poder de uma palavra. Esta é um daquelas verdades insofismáveis, que muito pouca gente faz esforço para guardar na memória ativa do dia-d-dia.
Chega! Falei sem amargura, mas na crença absoluta de ser fiel à minha opinião. É ela que está aqui. É ela que se expõe. É ela que fica à espera da “reação”. Se esta vier...
Escrito por Foureaux às 17h35
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Acabei de ver as finais de ginástica olímpica: barras paralelas para homens e solo para as mulheres. Confesso que ficar escutando os “teóricos do nada” – é como eu costumo chamar os comentaristas que não são ex-atletas (não me atrevo a “classificar” os que o foram!) – não é das experiências mais gratificantes. Gratificante é ver estampado no rosto de nossos estudantes, o desespero por não ter como freqüentar as bibliotecas das universidades, em função da greve dos corpos de servidores técnico-administrativos de cada uma delas. Realmente, não há expressão mais desesperadora. Filas e filas de estudantes ávidos pelo contato com o conhecimento impresso. Hordas de “intelectuais em formação” agoniados pela falta de convívio com o saber que circula em todas as publicações acadêmicas, institucionais ou não. As revistas são, a esta altura, de uma qualidade insuperável... Que o digam os critérios quantitativos que a CAPES insiste em manter como forma de “qualificar” a publicação docente deste nosso país; e que o CNPq “aplica” como fórmula para distribuir os tostões que disponibiliza para a pesquisa na área das humanidades... Afinal, quem é que ainda insiste no fato de que “humanidades” vá um dia ser sinônimo de “ciência” intramuros das/nas “agências de fomento” de nossa “nação”?
Voltando à vaca fria das olimpíadas. Sim, vaca fria, sem qualquer sombra de preconceito e/ou ironia, pois a julgar pelas transmissões televisivas – pobre e único recurso da grande massa populacional do planeta chamado terra – as olimpíadas não passam de um festival de sorrisos e caretas, sorrisos e gestos de repúdio a todas as formas de opressão. Penso que Che Guevara deve se retorcer no túmulo, ainda que todo perfurado. Opressão?!?!?! Que falar então do capital que “gira” em torno de um mega-evento como este?
Escrito por Foureaux às 17h34
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