Estão querendo, por todos os modos, manter a discussão sobre os "porões" da ditadura em aberto. Há gente que diz que isso é passado e deve ficar enterrado. Coitados de certos historiadores. Por outro lado, há gente que fica horrorizada com o "carnaval" que a globo fez com a queima de arquivos em Salvador. Coitados de outros tantos historiadores. Eu, cá comigo mesmo, para ser redundante de propósito, fico pensando que tudo devia não ter acontecido. Terá sido carma? Por que agora ficar fazendo tanto estardalhaço? Penso que o que existe ainda deve ser "publicado". O que se perdeu, se perdeu. Quem não tem "rabo preso" não precisa temer nada. As coisas acontecem (ou são "acontecidas"...!!!) e pronto!!!

Escrito por Foureaux às 09h53
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Uma mulher pudica, suspendendo a saia para entrar no mar. Maria Goretti. Ela o fazia so o olhar atento e baboso de seu “sedutor”. Quem conhece a história, entende o poder e o sentido destas aspas. Não são explicáveis. Esta foi  última cena que Rémy viu antes  de se entregar ao mistério da morte. Cercado por seus amigos, de mãos dadas com seu filho, ele se despediu da vida, de uma maneira estóica, desconhecendo por completo o que é que lhe esperava do “outro lado”, se é que alguma coisa o esperava. Esta é a cena final de “As invasões bárbaras” Um filme inolvidável, marcante, profundo e divertido. Como continuação de “O declínio do império americano” – bem inferior – este filme fala de amizade e de amor, de verdade e de História, de vida e de morte. O poder de cada um e a inevitabilidade do destino. Quem lhe prepara a overdose de heroína é uma ex-viciada, filha de uma das colegas do departamento de História de uma universidade canadense, com quem Rémy trabalhou, de quem ele foi amante. Assim como da outra colega. A mulher sabia de tudo, sempre soube a partir de um certo momento... Sofreu. Chorou. Esperneou, mas ficou com ele e, ao final, ela disse – homem  minha vida”. Piegas? Nem um pouco... Um filme, daqueles que fazem algumas pessoas chorarem, mas por que? E tem de haver um porque? Eu gostaria de saber se poderei decidir a hora de morrer, o modo de morrer e estar o lado de meus amigos, como Rémy. Faz pensar...

*****

Faz muito tempo que não escrevo. Faz muito tempo que continuo tendo idéias e mais idéias. Faz muito tempo que... Muito tempo. Mas não escrevo, não faço parar as minhas idéias e continuo perguntando porque. Comprei um cachorro. Seu nome é Argos. Não pesquisei na internet nada sobre esta personagem mitológica. Simplesmente aceitei o nome que deram ao cachorro, um labrador, de raça, com pedigree, certidão de nascimento famosa – ele é filhote de uma geração de campeões – e pertence a uma espécie rara de labradores: ele é “chocolate”. Ele é lindo. Tem só dois meses e meio de vida Já fez coco e xixi em três lugares “proibidos” da casa. Ele é mais ingênuo que um criança. Já apanhou algumas vezes de mim, durante a tarde. Mas ele vai aprender, assim como eu...



Escrito por Foureaux às 22h14
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Eu não sei mais  o que pensar. Pode ser que eu esteja ficando louco, ou me transformando na pessoa mais antipática do planeta. Ando pelas ruas, dirigindo e o que vejo me faz pensar se valeu e pena me educa tanto, pagar as aulas de direção, sar a seta quando vou virar à direita ou esquerda, estacionar no espaço delimitado pela pintura no chão, e coisas parecida com estas. Vou deixar pelo menor, vou considerar que chegando aos 50 anos de idade, vou me transformando numa pessoa ranzinza. Um pouco da herança que  adolescentes e crianças de hoje jamais saberão o que significa. Simplesmente porque não vão poder experimentar este tipo de situação. A Xuxa e o Renato Aragão não deixam, já nivelaram por baixo.

 

*****

 

Onze e meia da noite de segunda para terça-feira. Não era feriado nem nada. Não fazia muito frio. O ônibus parou e entrou no pátio de “segurança”, ainda em território argentino. Todos estavam começando a sentir (mais!) os efeitos dos três últimos dias de andanças, brincadeiras, bebida,. Festa e curiosidade. Um bando de adultos excitados como crianças, voltando para casa depois de uma grande aventura. Esperávamos a decisão da gloriosa, honrosa, abnegada e diligente Polícia Federal.

A guia do grupo voltou correndo ao ônibus gritando que  não era nada, com um sorriso estampado no rosto. Apreensão. Logo depois o juiz federal que estava no grupo se encaminhou para a “sede” da mais que altaneira instituição de proteção ao território nacional. Esperávamos por uma solução, quando fomos chamados para um corredor sujo, escuro, mal cuidado e mal cheiroso. A guia nos colocou em fila indiana, como se fôssemos colegiais em visita oficial a um prédio público ou museu. Pediu silêncio, pois não era “permitido” falar nem rir. Esqueci de mencionar que antes desta atitude pedagógica e moralizante, ela voltou do Ônibus sobraçando duas garrafas plásticas de coca-cola e um ramo de flores amarelas. Era o preço devido por aquela organização toda.. Lentamente o “agente” da Polícia Federal ia nos recebendo com cara de poucos amigos, numa janelinha de vidro ensebado, e ia marcando nosso nome numa lista que detinhas em suas poderosas mãos. Uma agonia. Por fim, marcados todos os nomes, o ônibus pôde, finalmente, retomar a rota de retorno ao solo nacional. Um detalhe: alguns metros antes de “divisa”, fomos avisados de que era proibido o uso do sanitário do ônibus, até que tivéssemos saído do pátio de segurança. As autoridades sanitárias brasileiras não permitiam...

Depois de tudo isso, eu fico me perguntando o que vão fazer com o dinheiro que “uns e outros” andam sempre mandando para contas no exterior... Por que a “polícias federal” não cuida do embarque e desembarque destas pessoas e fiscaliza assuas contas, junto à receita federal, no lugar de tentar demonstrar um poder que não têm, tratando os “patrícios” como energúmenos...

 

 

 

 



Escrito por Foureaux às 12h32
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Mais um trecho do futuro romance... Seria bom saber a opinião de quem lê estas linhas...

 

"Num momento de pura desatenção, desvio o olhar da tela da TV e fixo o olhar na sola do meu pé. Tenho, no momento exato do olhar, a certeza de que dificilmente alguém ainda vai tocar o meu pé. A única exceção, além de mim, é claro, é a podóloga, que dele cuida a cada 40 adias. Ela cobra caro, apesar de um serviço competente e limpo. Mas a micose da unha do dedo mínimo, do pé esquerdo, principalmente, não tem jeito. Continua lá. Quem é que poderia se interessar por isso? Quem vai pensar nisso quando olha pra mim, se é que alguém ainda olha pra mim. Modéstia falsa de lado, sei que as mulheres olham, sei que elas me desejam. Quando estou bem vestido e tudo mais (vou morrer sem saber, exatamente, o que significa este tal de “tudo o mais”). Elas não e interessam. Nunca me interessaram. Muitas delas ficam no mesmo lado da rua, na mesma calçada, só para passar do meu lado. Quando posso, desvio-me do caminho, troco de calçada. Minha intenção é ser altivo e demonstrar desdém. Será que alguma delas já percebeu? Elas nunca me interessaram. Será que alguma delas já percebeu isso também? Se isso já aconteceu, por que nenhuma delas nunca me disse diretamente que havia percebido meu desdém, meu descaso? Minha indiferença? Não há nada que incomode mais o ser humano que a indiferença. Sempre repito isso e não sei de onde, exatamente, esta idéia me surgiu... Será que li em algum lugar? Será que alguém disse isso e meu inconsciente gravou, como desculpa para me livrar de certos constrangimentos? Nunca vou saber...

 

Olho para os meus pés e sei que ninguém vai tocar neles, de novo. Não adianta a

preocupação coma limpeza das unhas, a maciez da pele. Não vão tocar nele de novo. Por vezes, esta certeza me assusta. Em outros momentos, a mesma certeza faz com que eu perceba que não há como mudar o ritmo do tempo. Chronos é absoluto. Nada de resignação passiva. Ceticismo. Ceticismo em sua melhor acepção. A certeza de que existe uma verdade, ainda que seja possível identificá-la e comprovar a sua existência. Sabe-se desta existência e pronto! Há uma possibilidade muito remota, como remota é a possibilidade de M. Crescer. Ele é infantil, apesar de sua idade, apesar de sua experiência de vida, apesar de sua segurança e de suas responsabilidades. Sua reações são infantis, sua afetividade é de uma infantilidade que chega a doer. Da mesma forma que F. Esta sim, uma profissional, até onde eu posso saber, competente, mas igualmente incapaz de separar certas coisas, em certas ocasiões. Com  faca e o queijo na mão ela, literalmente, não consegue enxergar o fio de corte e visualizar a espessura a fatia de queijo que acaba por não comer. Sempre assustada com a morte, sempre às voltas com o fantasma e seu pai a quem sempre foi tão ligada. F. Foi companheira por muitos anos. Acompanhei a sua “evolução, as suas primeiras “experiências” e sempre me perguntei porque ela era incapaz e vencer certas”dificuldades” Por que não conseguia enxergar o óbvio que, repetidas vezes, se apresentou diante de seus olhos. F. É uma pessoa igualmente despreparada para vencer a dificuldades que a convivência – aquela que se nutre dos percalços do tempo que não pára, apresenta a cada um de nós. De todo o grupo ficou a saudosa lembrança de T. Não vou gastar meu tempo falando de D. Não vale a pena. Virginiano compulsivo, astrologicamente falando, nunca conseguiu enxergar além de seu próprio nariz. Sempre confundiram seu egoísmo com equilíbrio de auto-centramento. Não vale a pena comentar, sequer mencionar qualquer outro detalhe. Não vale a pena. T. deu certo. Esta é a melhor forma de expressar o que se pode perceber dele e a respeito de toda a sua trajetória. Desde cedo ele foi objeto de minha admiração. Mesmo longe, ele dá sinais de que “deu certo”. Apesar de repetir que, como todos o demais, vive com uma mala pronta no corredor, ao lado da porta principal de casa, ele deu certo. Não volta mais, não tem que voltar. Não precisa voltar, vai desperdiçar todo o “investimento” que fez a troco de nada. Só por conta de uma axiomática experiência natal? Só porque suas raízes não se convencem a aprofundar caminhos em terra estrangeira? Não vou desistir de sempre de aconselhar T. A ficar, exatamente onde está.

É bom olhar para os próprios pés de vez em quando. O pensamento flui, as idéias aparecem  se tornam um ouço mais suportáveis. Exatamente por este caráter obtuso e desencontrado que marca u ato tão banal e sem sentido, como olhar para os próprios. Ainda que se chegue a uma cruel conclusão como esta: é muito difícil que alguém ainda venha a tocar neles..."

 



Escrito por Foureaux às 21h02
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As olimpíadas se acabaram. A festa foi menos empolgante do que a da abertura, as always. Talvez por causa da cena patética que o mundo todo viu. Um fanático religioso “atropelando” o corredor brasileiro que, dificilmente, seria vencido. Uma pena. Tanto o final melancólico da maratona, quanto o final da festa toda,em si...

 

Eu fico pensando no que deve ter passado na cabeça das nossas jogadoras de vôlei. O sentimento de decepção deve ter sido o menor deles. Ver uma oportunidade se esvair entre as malhas da rede e não conseguir reverter a situação. Não sei não... Quando eu nadava, ficava muito chateado quando acontecia algo parecido... Cheguei perto de uma seleção brasileira, para os Jogos Pan-americanos. Fui disputar uma vaga na seleção, em São Paulo. Domingo pela manhã, a família torcendo. Nadei na série final com os dez melhores nadadores do Brasil. Eu era o último da lista. Estava lá por conta de uma brincadeira de mau gosto de um nadador mineiro que perdeu medalha e classificação numa eliminatória em Brasília. Na virada dos cinqüenta metros, estava um corpo e meio na frente de César Lourenço, um nadador de Uberlândia, um negro lindo, enorme e muito simpático, de uma humilde simplicidade, difícil de encontrar hoje em dia. Ele era recordista sul-americanos dos 100 metros nado de costas, àquela altura. Quando virei (ainda era a velha virada de costas, não a que beneficiou o nadador norte-americano em Atenas), meu braço direito agarrou-se na raia que me feriu todo o braço e todos os nove nadadores me passaram. O tempo que fiz, naquela virada, estava dois segundos abaixo do recorde sul-americano. Quando soube disso, queria morrer...

 

Todo mundo que assiste a um espetáculo esportivo, por mais que consiga imaginar, nunca vai saber avaliar que dor a gente sente quando faz o esforço físico de se superar numa prova esportiva. É um esforço que só o atleta pode fazer, ele e mais ninguém. Isso não tem explicação, não há como substituir, não há dinheiro suficiente para financiar uma boa performance, não há patrocínio que minore a dor e o esforço físico.... Só quem passou por isso é capaz de avaliar. É por essas e por outras que fico indignado com quem fala que o futebol é o “esporte” nacional. As Olimpíadas de Atenas são uma prova inconteste de que isso acabou, na faz mais o menor sentido. O reinado de onze pessoas correndo desesperada e inexplicavelmente atrás de uma bola ACABOU... A presença de brasileiros jovens, em sua primeira experiência olímpica, entre os finalistas em diversas modalidades é o que mais explicita isso. Só não vê quem não quer...

 

As Olimpíadas e acabaram. Amanhã é dia de especular sobre o que aconteceu, ou vai acontecer na novela das oito outra vez. O estrangeiro que atrapalhou o”Vanderlei” já está esquecido. Os times de futebol vão continuar expondo suas “mazelas” miseráveis e sem graça nas páginas dos jornais. E as medalhas brasileiras, também já terão sido esquecidas. Triste destino este de uma nação com memória curta. Os teóricos do nada, como o grande time de jornalistas que ficaram quinze dias teorizando sobre o óbvio, com uma desinformação chocante, com uma desagradável sensação de que a coisas são mais simples do que parecem ser, vão voltar suas atenções para essa prática consumista de dinheiro e de energia social: o futebol. O “sagrado” futebol que não teve “peito”, pé, condições e “categoria” para estar lá, entre os melhores do mundo em todos os ESPORTES. Sim, as letras maiúsculas querem aqui alegorizar a suprema honra destes que “jogam” futebol em participar de um certame que reúne o que há de melhor em cada país, uma disputa variada das mas diversas práticas esportivas que, no pensamento do Barão de Coubertain, tendiam a manter o “espírito olímpico”. O “amadorismo” que a sociedade globalizada – agora chamada de “hiper-moderna”, como se as palavras tivessem o poder mágico de “criar” realidades concretas – era entendido, correta e acertadamente, como “dedicação a uma prática esportiva”. Lembrem-se: participar de uma olimpíada era uma glória para o atleta. Ele era comparado aos deuses, por chegar perto da perfeição e/ou por tentar isso. Não bastava correr atrás de uma bola por hora e meia. Isso não é NADA...

 

Quem pega metrô às seis da manhã, todo dia, pra trabalhar, sabe que não é assim. Quem gasta seu suor, sua saliva e sua imaginação para tentar fazer concentrar a atenção de gente que não sabe o que está fazendo ali escutando... (ainda bem que há exceções!) também vai transformar o mundo na mesa ilha de sensaboria e dejà vu, que nunca vai mudar. Se a gente mesmo não quiser mudar... Quem gasta tempo admirando aqueles que “fazem sucesso”sem FAZER NADA, vai nesta mesma fila, que tem o acompanhamento de muitos outros, dos mais diversos matizes,credos, cores, raças, preferências sexuais, idades, nacionalidades, etc., etc., etc.

 

Parabéns a quem sentiu dor nas pernas, nos braços, nos pés, nas mão, no corpo todo, na cabeça e se esforçou e se concentrou e fez o que pôde. Parabéns aos ATLETAS do Brasil!



Escrito por Foureaux às 20h24
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Acabei de receber, de ler e de ficar estarrecido. Assino embaixo das palavras de herbert Viana. Concordo com ele em gênero, número e grau...
 
"Cantor do LS Jack é internado em coma no Rio após lipoaspiração. É possível isso? É admissível isso? Um rapaz de 27 anos ter uma parada cardíaca e entrar em coma após uma cirurgia de lipoaspiração?  Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem  procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é  muito menos "lipo-as" e muito mais "piração"?   Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou,  enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto imagem.  Religião, é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação. Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo,sentimento é bobagem.  Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso. A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem? A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que  produz,não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos,não importa a cultura, a  sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada  mais importa. Não importa o outro, o a volta, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada. Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas  roupas,quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas... uma sociedade de adolescentes  anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.
Deus permita que ele volte do coma sem seqüelas. Que as pessoas
discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva."
(Herbert Vianna)


Escrito por Foureaux às 08h48
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Agora que estou publicando o meu texto, ao abrir o site da UOL, deparo-me com uma "chamada" em letras "garrafais": Daiane fica em quinto e frustra a chance de medalha inédita. Quem ficou frustrado, de verdade, no fundo d'alma, com toda a força da verdade e da sinceridade de espírito, com o "feito" de Daiane. Eu encabeço a lista daqueles que discordam da "chamada". Olha o discurso do coitadinho (preconceituoso e tudo!) aí de novo...

Escrito por Foureaux às 17h37
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A final da ginástica olímpica e o discurso “do coitadinho”  que os repórteres brasileiros insistem em divulgar estão me dando engulhos. “A ginasta romena foi muito bem, mas a participação da Daiane é um fato histórico”; “Os nadadores americanos e australianos têm melhorado muito as suas marcas, mas a participação da Maranhão e do Thiago merece aplausos por serem tão jovens e já estarem em finais olímpicas da natação”; “A seleção feminina da Itália é um marco, mas a participação das brasileiras...”

 

Prestem atenção no “mas”. Está aí o que eu chamo de articulador-mor do discurso do coitadinho. Daiane foi para a final do solo, em Atenas, por esforço próprio. Patrocínio, ajuda, torcida, e divulgação midiática não ajudaram muito, quase nada, em comparação com o “esforço” físico dispendido pela atleta, o gasto de horas e horas de treinamento, a cirurgia, a pressão por uma medalha. Ela esteve lá, não porque as “outras”  foram mal. Ela esteve lá porque ela é boa e fez por merecer. Talvez fosse o caso de não deixar de remarcar aqui o fato desta atleta ter a pele preta, usar aparelho nos dentes e ser de um estado que, em muitos aspectos, trabalha e produz muito mais que toda a região nordeste inteira. Preconceito deslavado, disfarçado em compaixão e/ou reconhecimento por mérito a uma nação que, por bem ou por mal, valoriza apenas quem se “sobressai”. Se ela fosse “ele”, talvez o discurso mudasse. Se ela fosse branca, passaria despercebida, num esporte de supremacia ariana, o que teria feito a alegria de Hitler e seus seguidores – ainda faz, para aqueles que ainda insistem em acreditar na supremacia de uma raça apenas. Se ela não usasse aparelho ortodôntico nos dentes, seria perfeita. Se ela não tivesse “aquele” sotaque, mas chiasse os “s” e usasse a gíria da “zona sul”, venderia seu nome como grife e exportaria um “comportamento” que, de nacional, tem muito pouco, quase nada. Basta ver a área geográfica considerada como “território” nacional. Mas isto é difícil, não é todo mundo que domina a terminologia e a ideologia do pensamento de Derrida. Já que estamos falando em “moda”... Mas ela é simplesmente Daiane.

 

Da mesma forma, os “coitadinhos do Thiago e da Maranhão” não são tão coitadinhos assim. Quando é que alguém com massa cinzenta funcionante pode imaginar que incentivo de mídia, patrocínio dos correios e pagamento de passagens e despesas são suficientes para os nadadores estarem entre os melhores do mundo? O fato inédito não é apenas estarem lá, mas estarem lá por conta de seu esforço, de horas e horas dentro d’água, de feriados e escolas at]e prejudicados por sua dedicação. Foi o esforço de cada uma das braçada dos dois que os colocaram dentro daquela piscina, não o patrocínio dos correios. Os times de voleibol até podem ser uma exceção neste meu raciocínio, dado que uma história já vem sendo contada por ele ao longo dos últimos anos. O Brasil está fazendo escola e só não vê quem não quer. Aliás, a grande maioria dos que não querem ver é formada por aqueles que ainda acreditam que o FUTEBOL pode fazer alguma coisa pelo Brasil. Arrisco a dizer que o FUTEBOL brasileiro já deu o que tinha que dar, não dá mais no couro, há muito tempo. O “futebol” continua rendendo milhões para atletas que, de ATLETAS têm muito pouco – principalmente pela síndrome da exibição e do PODER (coitados, nunca leram e se leram não entenderam o nosso Foulcault) – atletas e “cartolas que, estes sim, ainda que contando com uma  possibilidade de “esclarecimento” e uma “ iluminação”  intelectual, continuam representando, impecavelmente, seu papel de ”tubarões”. As cartolas já se foram...

 

De tudo, aproveita-se alguma coisa. Assim não fosse, não faria sentido ter gasto tempo para decorar a famigerada lei de Lavoisier: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Maquiavélico, o poder das palavras. Na boca de um significam a vitória, na de outro a derrota, na de um terceiro, outra coisa que não ousa dizer o seu nome. Vai saber... Fica cada vez mais claro o fato de que o nosso país “continental”, “tropical”, “bonito por natureza” não está conseguindo introjetar na cabeça de quem deveria tomar a iniciativa que dinheiro gasto em EDUCAÇÃO rende juros, correção monetária, dividendos, sem especulação, sem divisão injusta de renda, sem peculato sem tanta coisa que a mídia, esta mesma mídia que “endeusa” os coitadinhos dos brasileiros em Atenas, não se cansa de propalar em nome da “liberdade de expressão. Liberdade é um conceito muito complexo, muito intrincado, especular à enésima potência, que pode sustentar os discursos mais diversificados, com as tendências mais variadas, atingindo espessuras semânticas inesperadas. A gente não  é capaz de aquilatar o poder de uma palavra. Esta é um daquelas verdades insofismáveis, que muito pouca gente faz esforço para guardar na memória ativa do dia-d-dia.

 

Chega! Falei sem amargura, mas na crença absoluta de ser fiel à minha opinião. É ela que está aqui. É ela que se expõe. É ela que fica à espera da “reação”. Se esta vier...



Escrito por Foureaux às 17h35
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Acabei de ver as finais de ginástica olímpica: barras paralelas para homens e solo para as mulheres.  Confesso que ficar escutando os “teóricos do nada” – é como eu costumo chamar os comentaristas que não são ex-atletas (não me atrevo a “classificar” os que o foram!) – não é das experiências mais gratificantes. Gratificante é ver estampado no rosto de nossos estudantes, o desespero por não ter como freqüentar as bibliotecas das universidades, em função da greve dos corpos de servidores técnico-administrativos de cada uma delas. Realmente, não há expressão mais desesperadora. Filas e filas de estudantes ávidos pelo contato com o conhecimento impresso. Hordas de “intelectuais em formação” agoniados pela falta de convívio com o saber que circula em todas as publicações acadêmicas, institucionais ou não. As revistas são, a esta altura, de uma qualidade insuperável... Que o digam os critérios quantitativos que a CAPES insiste em manter como forma de “qualificar” a publicação docente deste nosso país; e que o CNPq “aplica” como fórmula para distribuir os tostões que disponibiliza para a pesquisa na área das humanidades... Afinal, quem é que ainda insiste no fato de que “humanidades” vá um dia ser sinônimo de “ciência” intramuros das/nas “agências de fomento” de nossa “nação”?

 

Voltando à  vaca fria das olimpíadas. Sim, vaca fria, sem qualquer sombra de preconceito e/ou ironia, pois a julgar pelas transmissões televisivas – pobre e único recurso da grande massa populacional do planeta chamado terra – as olimpíadas não passam de um festival de sorrisos e caretas, sorrisos e gestos de repúdio a todas as formas de opressão. Penso que Che Guevara deve se retorcer no túmulo, ainda que todo perfurado. Opressão?!?!?! Que falar então do capital que “gira”  em torno de um mega-evento como este?



Escrito por Foureaux às 17h34
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Li esta citação agora de manhã e não quis deixar passar o elã... Ou seria elan? Ah... vai assim mesmo. Leiam e deleitem-se!

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Nunca estamos em nós; estamos sempre além. O temor, o desejo, a esperança jogam-nos sempre para o futuro, sonegando-nos o sentimento e o exame do que é, para distrair-nos com o que será, embora então já não sejamos mais.
(Montaigne)


Escrito por Foureaux às 10h47
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Quem não viu… perdeu. Quem viu, deve ter se emocionado como eu! Não há como não ter ficado arrepiado até a raiz os cabelos “mais escondidos”... com to aquela exibição de organização, beleza, informação, arte, técnica, ritmo. Uma aula de História, de Mitologia, de educação. Um show, na acepção mais completa do termo. É assim que eu vi a abertura das Olimpíadas deste ano. À parte o fato de que o esporte “amador” tenha acabado e que este é que tenha inspirado o Barão de Coubertain, o espetáculo ainda tem o seu lugar. Agora é torcer para que as equipes com mas empáfia os EUA levem traulitadas “homéricas” para ver se aprendem a enxergar além do próprio umbigo.

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Dois filmes me chamaram a atenção  nos últimos dias. Far from heaven e Dogville. O primeiro mereceu, como de hábito, sinposes equivocadíssimas. Todas elas chamaram a atenção para o episódio homossexual do filme, o que, na verdade, não toma mais que alguns de seus segundos, quiçá minutos. A esposa pega o marido beijando outro homem em seu escritório. Pronto. O ponto de fuga do filme, no entanto, o seu centro nervoso é o embate do preconceito m muitas de suas formas discursivas de explicitação. O cenário e perfeito. A atuação de Julianne Moore e Denis Quaid, irreparável. Hors concours é o negro (não me lembro do nome do ator), o único a estabelecer um diálogo sincero, profundo e verdadeiro com a protagonista. Um exemplo de como  dialogismo bakhtiniano tem muito a ensinar a cineastas e “críticos de plantão”!!! Outro dado interessante  é a composição “técnica” do filme. Desde a abertura até os créditos, percebe-se claramente uma homenagem, para não dizer,colagem, das aberturas e apresentação de créditos de filmes em preto e branco dos idos de 50 e 60, do século XX. Estamos ficando velhos... A trilha sonora é outros destes aspectos que deixam na mente do espectador um sabor forte de saudade de comédias românticas e dramas verdadeiramente “humanos”, em que um olhar era mais eloqüente que toda uma produção digitalizada à “perfeição”. Coisas que o cinema de hoje está aprendendo a desaprender. Infelizmente. Talvez seja a explicitação de um sintoma que se repete na transformação de “cinemas” em salas de projeção alocadas em shopping centres all around the world. Infelizmente, de novo!!! Não estou querendo ser “profeta”, pois um “clássico” desta estirpe cinematográfica Sunset Boulevard, já prenunciava este futuro acinzentado.

 

O outro filme é Dogville. Mistura do humor sangrento de Quentin Tarantino, neo-realismo italiano e John Steinbeck, o filme é uma peça de teatro filmada, muito bem filmada. Com uma atuação estelar, brilhante, de Nicole Kidman, acompanhada de um grupo de atores afinadíssimos, o filme é o resultado da mistura dos três vetores discursivos que apontei. É engaçado, sem ser hilário; triste, sem ser melodramático, e violento sem ser gratuitamente sangrento. O tiroteio do final, não consegue estabelecer o padrão hollywoodiano de violência, uma vez que vem metaforizado em representação atualizada do mito de Nêmesis, ou da vingança. O torpor que toma conta das seqüências de estupro em que, silenciosa, a personagem de Nicole se abate, afundando no mundo mais abissal da sordidez humana, é substituído por uma angústia satreana da mesma personagem, até que resolve sair do carro de seu pai para matar  pretenso namorado. Dinheiro era uma palavra de ordem possível: o contexto sócio-cultural do filme é a depressão norte-americana. Morte é outro epígono discursivo do filme, dado que a vingança espraia sua sombra na medida em que os fatos se sucedem e as traições fazem sucumbir a esperança da protagonista de redimir os seres humanos. Não há remorso, por que não se lida com a culpa. Não há culpa a discutir. Há uma dúvida crucial: o que significa sobreviver, afinal de contas. Em outras obras, John Steinbeck – eminência parda constante em cada detalhe da “trama” do filme – já havia alegorizado a mesma dúvida, substituindo situações “concretas” para varias representações da mesma e inquietante dúvida. Há que se destacar o, por vezes, irônico british accent de Anthony Hopkins (creio que é ele mesmo), como narrador da história que está sendo contada. Sua voz vai pontuando os episódios que vão sendo mostrados ao espectador por meio de fichas catalográficas, em que o enredo se desdobra, dando organicidade às cenas que se sucedem. Da mesma forma, o desenho da cidade revela-se um artifício inteligente e instigante do diretor do filme. Fazendo pensar nas “marcações” de um teatro mais realista ou naturalista, como queiram uns e/ou outros, os traços urbanísticos dividindo e criando espaços cênicos são metáforas do “nada” que caracteriza os limites da existência humana, calcada nas relações entre os homens (no sentido genérico do termo, não em seu sentido – menor – de sexualidades e/ou papéis sócio-sexuais). Estas relações ganham novo relevo, quando representadas por linhas riscadas no chão, paredes inexistentes, elementos cênicos reduzidos a quase nada, quase referências apenas. Saussurre e Peirce devem estar se digladiando nos referidos túmulos – apesar de eu não ter certeza da morte deste segundo.

Enfim, um grande filme e, literalmente, um filme grande, arrastado, quase monótono, um tanto confuso, mas que, numa direção diametralmente oposta à sua desqualificação, dignifica a sétima arte, fazendo com que a gente não se arrependa de ter ido ao cinema ou, mais confortavelmente, de ter alugado o dvd.



Escrito por Foureaux às 18h19
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Salve Fernando Pessoa! Sempre!

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FERNANDO
PESSOA

Poesias de
Álvaro de Campos

    Todas as cartas de amor são
    Ridículas.
    Não seriam cartas de amor se não fossem
    Ridículas.

    Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
    Como as outras,
    Ridículas.

    As cartas de amor, se há amor,
    Têm de ser
    Ridículas.

    Mas, afinal,
    Só as criaturas que nunca escreveram
    Cartas de amor
    É que são
    Ridículas.

    Quem me dera no tempo em que escrevia
    Sem dar por isso
    Cartas de amor
    Ridículas.

    A verdade é que hoje
    As minhas memórias
    Dessas cartas de amor
    É que são
    Ridículas.

    (Todas as palavras esdrúxulas,
    Como os sentimentos esdrúxulos,
    São naturalmente
    Ridículas.)

    Álvaro de Campos, 21-10-1935


 


(ilustração criada por Tatiana Paiva)

Volta



Escrito por Foureaux às 13h05
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Hoje vai só um poema do Borges, mas que poema!!!

Estou com preguiça de escrever, apesar de ter coisas e coisas a dizer acerca do filme Dogville. Impressionante. Fica pra depois...

Faço minhas as palavras (poéticas) de Jorge Luiz Borges. Valle!!! (com sotaque valenciano, hombre!)

 

INSTANTES

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem pouca coisa levaria a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita à vida, só de momentos, não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

Eu queria chegar "lá" assim...;-))



Escrito por Foureaux às 19h57
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Eu fico aqui pensando... Imagine que você é um professor... universitário. Na "pós-graduação", juntando alunos de Mestrado e Doutorado, você é responsável por um "seminário". Alguém, um ilustríssimo e digno desconhecido, convida você a enviar os textos para publicação, em conjunto. Uma chance imperdível. Todo mundo manda os textos. A publicação não sai... Atrasos são naturais, mas um ano e meio depois... nada! O que será que pode ter acontecido? Você fica irado. Ninguém dá uma explicação. Seu bom senso vence e você pensa: bem, vai ver aconteceu alguma coisa de sério, de grave, um impedimento técnico, material, humano. Como é que eu posso saber? Nada... Silêncio sepulcral. É aí que aparecem miríades de demônios invisíveis, perceptíveis apenas pela audição. Os componentes dos corpos "discentes" são mestres nesta arte "milenar"... (Onde será que se pós-graduaram nesta "área do conhecimento"?) Uma audição irritada pela repetição foneticamente enfadonha das mesmas perguntas: e a publicação? Quando é que sai a publicação? Nossos textos não vão ser publicados? Alguma notícia da nossa publicação? Por que nossos textos ainda não foram publicados? O que foi que aconteceu com a publicação de nossos textos? Etc., etc., etc., que saco!!! Estes demônios infernizam a sua cabeça. E você se esquece de dizer para os demônios que o responsável não é você! Que apesar de você ser um "doutor", responsável por um "seminário", você foi apenas um intermediáro nesta transação "acadêmica" e que a publicação não ficou sob sua responsabilidade, que a "falha" não é sua! Por que não colocar os demônios em contato com o real responsável? Não se sabe... O negócio é que toda moeda tem duas faces e a metáfora procede, em cada milímetro da existência humana, a cada passo do tempo, em cada nicho de circunstância. O que foi que aconteceu?

Não é possível prever e/ou saber de antemão que a paranóia de uns, que nada têm a ver com a referida "transação", impediu, por muito tempo, a publicação do que quer que fosse. Vaidade? Negligência? Ciúme? Inveja? O argumento, ainda que discutível, poderia até falar da "aualização" da página, da necessidade de colocar a página "em dia". Mas nada foi feito. Esta mesma paranóia impediu qualquer atitude. O editor que se rale... Além disso, não se pode adivinhar que a instituição, sede da revista, ainda que virtual, não dá a mínima para nada que alguém deste "setor" produza. (Ai, como eu ODEIO esta palavra...) Pra que divulgar trabalhos de/sobre Literatura? E literatura serve para alguma coisa? Não! Não serve para nada! Do ponto de vista pragmático da vida, ela não serve para nada, nada mesmo! No entanto, sem ela nós somos "menores", nossa vida fica "menor", as chances de desfrutar algum tipo de prazer intelectual também fica igualmente "menor". Desculpem a redundância, mas para os outros prazeres, há meios mais eficazes, rápidos, efetivos e satisfatórios. Que merda esta coisa de ficar preso ao desejo de um prazer intelectual. Mas é isto. Depois disso tudo, resta uma esperança. De um lado, o desejo de verem publicados os tais textos. De outro, ver a publicação realizada... mais um ponto na famigerada GED. Que pena que tudo seja assim, tão necessitadamete imediato... As desculpas existem. Se elas vão ser aceitas ou não, não sei. O esforço continua. Se a revista vai sair, também não posso garantir. O negócio é que, plagiando o adagiário popular, e sem querer ofender a ninguém (porque não há motivos para tanto!), há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia. Quem foi que disse isso mesmo? Ah... a memória! Ah... esta eterna dívida de citação. Alô Compagnon!!! Salve!!!



Escrito por Foureaux às 11h08
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“Ele era baixinho. Estava vestido de maneira casual: tênis, jeans uma camiseta com frisos vermelhos nas mangas e na gola. Não era bonito, não. Era um tipo comum, um... chaveirinho mesmo! Tinha um nariz reto, perfil quase etrusco e dançava como um gogoboy enlouquecido pela música que, alta, movimentada um parafernália enorme de luzes. Ilusão de modernidade, sonho e delírio de prazer movido a álcool, água mineral, talvez ecstasy ou cocaína. O que importa? Na verdade, ele me notou e sorriu como Gioconda, revirando os olhos que pareciam negros – à distância – quando a música acelerava o ritmo. Malabarismo de um corpo em êxtase musical. Reviravoltas dos braços. Um relógio grande bem visível, desses que andam na moda, no pulso esquerdo. Um rapaz comum, que mexeu com meus “brios”. Depois dos 40, o ânimo de dançar all night long se esvai rapidamente, como éter. Não dá mais pra segurar uma onda como esta. Não vale a pena. Já nadei nestes mares e sei onde fica a praia. Mas é bom olhar. Olhar e sonhar. Sonhar e sorrir. Olhar e esperar, para nada acontecer, de novo. Ele dançava e, de vez em quando, olhava para trás. Havia muita gente junto dele. Havia outro rapaz, da mesma estatura, mais bonito, bem mais bonito. Este chegara com um casal straight. (Não quero ficar fora da moda. Tenho de usar o jargão da moda, tenho que mostrar que sei inglês...). Camiseta regata azul, corpo bem mais “trabalhado”. Cabelos compridos e um sorriso fácil, destes que conquistam a qualquer um, de imediato. Dançava também, muito. Muito e gostoso. Sempre sorrindo, Na dele. Não fixava o olhar em nada, em ninguém, quase um típico clubber, a não ser pela aparência comum, de rapaz de cidade, de homem que, ainda jovem, entrava pela primeira vez (será mesmo?) numa boate gay (nossa, esta expressão cheira a idade, a tempo passado, a velhice...). Acompanhado de um casal que queria se divertir num lugar... diferente! Animado! Alternativo! A música era estridente. Demais para conversar, ou tentar ouvir direito o que o outro dizia. Ambos estavam ali, na minha frente. Do outro lado do parapeito recheado de grandes almofadas que já serviam de piso macio para os passos cambiantes de uma trouppe desconhecida e, ao mesmo tempo, por demais vista, revisitada. Todos os finais de semana. O mesmo ritual. Eu não queria ir embora, mas não queria ficar (Dá pra entender?). No meio da confusão, por várias vezes, o rapaz de camiseta branca e relógio grande olhou para trás. Não o suficiente para despertar mais o meu desejo. Não muito, o suficiente, para me fazer ficar. Não tinha mais ilusão. Terminei a água, desci os poucos degraus, fui até a portaria. Paguei a conta e saí. Fiz isso automaticamente, sem olhar para trás. Não era tarde, mas a rua estava deserta. As mesmas caras sonolentas dos motoristas de táxi, esperando os fregueses que poderiam ir para qualquer lugar. Uns para a zona sul, outros para a estação do metrô, outros para um motel. E havia os que iam andando pelas ruas da cidade, no meio da madrugada, como personagens dos contos de Caio Fernando Abreu. O clima é sempre o mesmo, o cenário é sempre o mesmo. Mesmas as ilusões. O tempo passa e parece estar cristalizado em imagens ofuscadas pelo álcool e pelo sono, pelo desespero... nunca! Isso não. Fui para casa e pensei, mais uma vez, antes de dormir, no rapaz de camiseta branca, de perfil quase etrusco, o que dançava e olha para trás, para mim, eu suponho...”

 

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O texto acima é um trecho de um romance que estou escrevendo. Parte dele já vem sendo trabalhada ao longo dos últimos quatro anos. Não dá pra me dedicar somente a ele. O que é uma pena. O título (provisório) é "A chance de Aladim".  Pensei neste título por conta de uma música cantada por Ney Matogrosso, no disco "Olhos de farol". Tomara que, um dia, este romance fique pronto e alguma editora queira publicá-lo. caso contrário, vou fazer como muita gente por aí: financiar a publicação e pronto. Melhor ainda vai ser se alguém ler o texto. Bom aí é só questão de esperar...



Escrito por Foureaux às 13h09
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